56º SEMINáRIO DO GEL - 2008
 
 Referência 
GUESSE, Érika Bergamasco. O CONTO POPULAR E UM EXEMPLO DE ANÁLISE ESTRUTURAL DE UM CONTO INDÍGENA BRASILEIRO. In: SEMINÁRIO DO GEL, 56., 2008, Programação... São José do Rio Preto (SP): GEL, 2008. Disponível em: <http://www.gel.org.br/?resumo=3909-08>. Acesso em: dd.mmm.aaaa.
 
 Dados do trabalho 
Título:
O CONTO POPULAR E UM EXEMPLO DE ANÁLISE ESTRUTURAL DE UM CONTO INDÍGENA BRASILEIRO
Autor(es): ÉRIKA BERGAMASCO GUESSE - UNESP
Resumo:
O presente trabalho tem como objetivo inicial fazer uma reflexão acerca do conto popular, apresentando suas características fundamentais, suas especificidades como gênero, sua classificação, sua linguagem e seus elementos. A partir disso, pretende-se abordar a questão do conto popular no Brasil através do autor Silvio Romero. Silvio Romero foi um escritor, crítico literário e folclorista cuja obra foi bastante significativa para sua época e, no entanto, seu legado acabou sendo esquecido. Somente agora, vem sendo redescoberto e valorizado por sua contribuição literária e folclórica. Dentre as obras mais importantes deste autor, encontra-se a antologia Contos populares do Brasil (1883), reunida por ele, o qual aglutinou os textos sob três rubricas: “contos de origem européia” (51 narrativas), “contos de origem indígena” (21) e “contos de origem africana e mestiça” (16). Destes três grupos étnicos, trabalhar-se-á com o grupo dos contos populares brasileiros de origem indígena. O estudo de um material folclórico indígena é de grande importância, uma vez que expressa parte substancial da cultura do povo brasileiro e representa um grupo étnico bastante significativo para a formação histórico-cultural do Brasil. A figura do índio já foi abordada em diversas obras literárias (poesia, prosa e teatro); entretanto, nos contos populares/ folclóricos o índio assume a posição de autor/criador. A despeito da importância cultural desse veio criativo, ainda há uma escassez de estudos voltados especificamente à compreensão das narrativas populares de origem indígena. Tentando compreender e analisar esses contos, utilizar-se-á a teoria proposta pelo autor norte-americano Alan Dundes em Morfologia e estrutura no conto folclórico (1996). Dundes fundamenta sua teoria a partir da análise de contos populares de origem indígena norte-americanos e parte das funções do famoso estruturalista russo Vladimir Propp e dos estudos do antropólogo/lingüista Kenneth L. Pike para chegar a um modelo de análise específico para narrativas indígenas. Este autor propõe quatro seqüências de elementos, que seriam a base para a análise estrutural de qualquer conto indígena norte-americano. A maioria dessas seqüências estaria baseada, por sua vez, em duas situações: uma situação inicial de desequilíbrio, podendo ser representado pela carência ou abundância de algo; e uma situação final de equilíbrio, podendo ser representado pela reparação da carência inicial ou pela perda da abundância inicial. Entre essas duas situações, inicial e final, ocorrem, segundo o autor, elementos mediais variados, porém limitados, como ardil e engano, interdição e violação, tarefa e realização da tarefa. Dundes tem o intuito de mostrar que as narrativas indígenas não são amontoados de acontecimentos sem sentido ou lógica; para ele, o conteúdo em si dos contos não é tão relevante, já que está relacionado à cultura de cada povo, seus costumes, crenças e tradições. O que verdadeiramente importa é a forma fixa na qual esses elementos se encaixam formando estruturas lógicas e coerentes. Assim, o objetivo principal deste trabalho é analisar contos populares indígena recolhidos no Brasil por Silvio Romero e, para isso, a teoria acima será o principal ferramental de análise. É necessário, porém, verificar se o modelo de Alan Dundes realmente serve como base teórica para os contos brasileiros. Desta forma, uma breve análise de duas versões brasileiras de um mesmo conto indígena será apresentada. Esta análise evidenciará a adequação do modelo estruturalista de Dundes aos contos brasileiros, mas também mostrará a necessidade de algumas modificações dessa teoria, adaptando-a às especificidades das narrativas brasileiras.